AMIGOS DE UMA MÃO SÓ

Quem nunca ouviu ou já se orgulhou, ao dizer que tem pouquíssimos amigos, a ponto de contá-los nos dedos de uma mão só? 


Era apenas mais uma manhã normal de devocional com as minhas filhas quando, ao ler o versículo que minha filha havia grifado em sua Bíblia, saltou aos meus olhos uma versão que eu ainda não tinha lido (NTLH). Mesmo sendo um versículo já lido tantas vezes, ele me fez refletir por alguns dias sobre o real valor das minhas amizades.

Sempre tive certa facilidade em transitar por diversos grupos de pessoas, sabendo que encontraria amigos para determinadas estações e também que encontraria amigos para formar alianças. E, pelo menos para mim, geralmente essas amizades são as que mais me impressionam por serem geradas sem esforço algum, como se realmente fosse Deus quem as estivesse me apresentando… 

A questão aqui é que, além de termos consciência de que pessoas são colocadas em nossas vidas para determinados tempos, precisamos entender que as amizades não existem para nos servir.
É muito confortável dizer que tenho só três amigos e que eles são suficientemente bons para mim, visto que os relacionamentos exigem de nós tempo, transparência, confiança, crescimento. Mas, enfim, como diz em Provérbios 27:17 “Assim como o ferro afia o ferro, assim é o amigo na vida do outro.”

Será que não seria egoísmo escolher ter três amigos de longa data enquanto eu poderia estar afiando uma outra pessoa que está ao meu lado? Será que não seria prepotência demais me achar suficientemente satisfeita, como quem acredita que realmente não precisa de qualquer outro relacionamento profundo para ser afiada um pouco mais? E será que pensar que alguém está na minha vida apenas para eu afiar essa pessoa e não me sentir nem um pouco afiada não seria orgulho?

Já faz um tempo que, transitando em alguns meios, tenho o privilégio de ter amizades de longas datas, outras que fiz há uma semana e outras ainda que estão se desenvolvendo. Mas sempre aprendendo que as amizades não me servem; não são o meu ponto de segurança, apesar de serem um lugar de paz; não são fonte de alegria, apesar de serem um presente; e não existem para meu deleite, apesar de serem um lugar de satisfação.
Erramos quando transferimos (mesmo que um pouquinho) a responsabilidade para alguém de fornecer aquilo que só encontramos em uma única pessoa, que é e sempre será Cristo.

O desejo de Deus nunca foi que nós andássemos sós, mas não acredito que seja apenas para nos sentirmos amados, porque, se fosse isso, somente a presença dEle, com certeza, seria o suficiente! Acredito que, ao desejar extrair do ser humano um coração mais parecido com o Seu que se derrama em amor, compassivo, humilde, generoso e entregue Ele viu que nos relacionamentos se espreme um sumo que, sozinhos, jamais conseguiríamos.

Se Deus olhou para o relacionamento e viu algo tão satisfatório, pessoas tão mais aperfeiçoadas em amor, por que então nós iríamos nos fechar a ponto de passarmos a vida contando as amizades nos dedos de uma mão só?
É claro que um lugar de confiança se conquista, mas para se conquistar é preciso estar lá: no convívio e no aprofundar.

Talvez estejamos nos escondendo nos “amigos de uma mão só”, usando essa desculpa para não aperfeiçoarmos as partes mais chatas que ainda temos. Mas a vontade de Deus é que cresçamos até chegarmos à estatura perfeita. Guiar pessoas a um encontro com Ele exige de nós um coração disponível, que pega pela mão e conduz. Mas como conduzirei se as minhas mãos estiverem fechadas apenas em cinco amigos?

Ah, esse é o versículo em questão:
“Uma pessoa correta traz bênçãos para a vida dos outros, quem aumenta o número de amigos é sábio.” Pv 11:30 

E aí, estão abertos a novas amizades? Porque, depois dessa, eu estou! (risos)


Um beijo daqui. 

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